RESPOSTA DO PRESIDENTE DA OAB SP AO JORNALISTA ELIO GASPARI


11/02/2009

Senhor editor.

 

O jornalista Elio Gaspari,  em sua manifestação de 01/02/09, revela seu desconhecimento sobre assuntos que lhe são estranhos, com o único objetivo de ofender-me pessoalmente, a começar por errar propositalmente meu nome. Desconhece o problema da Carteira de Previdência  dos Advogados, gerida pelo Ipesp,  que herdei e o qual estamos tentando resolver. Portanto,  erra ao afirmar  que  reivindicamos “ que  a viúva fique com o esqueleto da carteira” . Não reivindico, busco uma solução para defender o direito de 40 mil colegas que acreditaram e aderiram à referida Carteira.

 

Erra, também, ao afirmar que a OAB quer reduzir o alcance da defesa gratuita aos carentes. Aliás,  reprisando o erro de matéria já publicada, na qual  há um divórcio  entre  texto e o título. Ignora  a resposta pública da Ordem, esclarecendo que tal afirmativa não procede,  porque queremos que o atendimento jurídico gratuito chegue ao verdadeiramente carente. Erra  também quando afirma que a Ordem recebe bom dinheiro para prestar o serviço de assistência judiciária. A Ordem nada recebe, quem recebe -  aliás muito pouco – são os advogados que prestam tal assistência, sendo remunerados com recursos provenientes de custas, portanto,  do Judiciário paulista, administrado pela Defensoria.

 

Por fim, quem efetivamente atendeu e promoveu mais de um milhão de processos foram  esses colegas abnegados que cumprem uma função que o Estado, por sua Defensoria, não é capaz de realizar e isso há 20 anos. Assim, a ironia que começa no título da nota “OABEIÇO”  deveria dar lugar ao conhecimento  para  evitar incorrer no erro e ofertar contribuição intelectual que o sr. Elio Gaspari tem de sobra para solucionar esses dois problemas.

 

Luiz Flávio Borges D´Urso

Presidente da OAB SP

 

íntegra da Nota 

Folha de S. Paulo, 01 de fevereiro de 2009

 

OABEIÇO
O ramo paulista da OAB, presidida pelo doutor Luiz Flávio "Cansei" Borges D'Urso parece acreditar que tem superpoderes de convencimento. Numa ponta reivindica que a Viúva fique com o esqueleto da carteira de previdência dos advogados de São Paulo. Ela arrecada R$ 4,6 milhões e paga R$ 6,2 milhões em benefícios. O custo do ossário pode chegar a R$ 10 bilhões em 90 anos. Noutra ponta, a mesma OAB quer reduzir o alcance da defesa gratuita oferecida à choldra pelo Estado. Hoje 1,8 milhão de pessoas são atendidas anualmente, e a Ordem recebe bom dinheiro para ajudar nesse serviço. Os beneficiados são contribuintes com renda familiar inferior a três salários mínimos (R$ 1.350). A OAB quer fechar a porteira, admitindo só famílias com renda inferior a R$ 900 de renda. Na tunga, dançam 270 mil pessoas.
Assim, um pedaço da patuleia fica obrigada a carregar o esqueleto da previdência dos doutores, mas perde o acesso à defesa gratuita que o Estado lhe dá há cerca de 20 anos.