REPRESENTANTE DA IRLA VISITA A SECCIONAL


27/06/2011

John Graz, secretário geral da Irla – Associação Internacional de Liberdade Religiosa - visitou a OAB SP na última sexta-feira ( 18/6) e foi recebido pelo presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso.

Graz explicou que tem laços com o Brasil porque seu avô esteve em São Paulo para a Semana de Arte Moderna em 1921/22 e que sua nora é brasileira. A cada 2 anos, a Irla publica um relatório sobre liberdade religiosa no mundo. Segundo ele, hoje há 150 países que preveem a liberdade religiosa em suas Constituições, em outros 50 há restrições e em 10 não há liberdade religiosa.

“No Brasil há liberdade religiosa  e esperamos ver o país na liderança da defesa da liberdade religiosa em todo o mundo. Torna-se uma voz mundial. Ele vê uma relação entre liberdade de expressão, dos direitos humanos  e democracia”, garantiu.

O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso explicou que o Estado brasileiro é laico e dá amplo espaço à liberdade de culto. Depois comentou com o representante da Irla a decisão recente do STF que assegurou  o direito de os cidadãos de se manifestarem livremente, inclusive em marchas  pela liberdade de expressão e comentou: “A decisão do Supremo reafirma a garantia do cidadão. Afinal tivemos passeata pró-abroto, que é proibido no Brasil”.

O presidente  D’Urso, perguntou a opinião de John Graz, sobre um tema que o STF deve analisar em breve: uso de substância não autorizada em cultos religiosos, caso do Santo Daime. Depois de dizer que o tema é complexo e eu precisaria de um estudo mais aprofundado, que nos EUA há cultos que utilizam maconha. Grass afirmou que não poderia defender religião que ataca a dignidade e integridade das pessoas. Uma religião não pode estar acima da lei e dos direitos humanos

D’Urso também perguntou sobre a questão das testemunhas de Jeová, que não aceitam transfusão de sangue, questão enfrentada pelos médicos e tribunais brasileiros. Segundo Grass, esse problema não ocorre nos EUA, porque houve uma acomodação para respeitar as convicções religiosas, o que não aconteceria na França.

Para Grass, o extremismo religioso também é um perigo para liberdade religiosa, sendo que os ateus também podem fazer parte da entidade porque os indivíduos  são livres para decidir. “É preciso ensinar as pessoas a serem sábias, a não provocarem outras religiões, como aconteceu na Flórida, onde colocaram fogo no Alcorão, e o resultado foram 50 pessoas mortas e 20 igrejas queimadas” destacou.

Damaris Moura, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, citou Thomas Jefferson de que “e preciso estar alerta porque o preço da liberdade é a eterna vigilância”  e  lembrou que participou do Seminário Internacional “O Estado Laico e a Liberdade Religiosa do CNJ” e visitou o Senado para tratar do tema da liberdade religiosa.  George Niaradi, presidente da Comissão de Relações Internacionais, afirmou que a visita de Graz confirma o signo da OAB SP de ser uma casa de defesa da liberdade do indivíduo, desde seu nascimento.

Graz recebeu uma láurea de homenagem da OAB SP e entregou a D´Urso a revista “Liberty” e a publicação “Fides et Libertas”