ORDEM ENTREGA PRÊMIO BENEDICTO GALVÃO A EXPOENTES DA LUTA CONTRA O RACISMO

18/04/2012

A Comissão de Igualdade Racial da OAB SP entregou na última quarta-feira (11/4), em reconhecimento ao trabalho de quem se empenhou pelos direitos dos afrodescendentes, sua primeira edição do Prêmio Benedicto Galvão. O advogado foi o primeiro negro a presidir a OAB SP, em 1940 e 1941.

O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, elogiou a iniciativa de criação do prêmio pelo presidente da Comissão de Igualdade Racial, Eduardo Pereira da Silva, e disse que a homenagem manterá a lembrança e o exemplo de Benedicto Galvão para as gerações futuras.<br /><br />Eduardo Pereira da Silva afirmou que a OAB SP tem se mostrado vanguardista em várias áreas, notadamente em iniciativas contra o racismo e em favor de ações afirmativas, como as políticas de cotas. Silva agradeceu a D’Urso por acolher sua ideia de criar o Prêmio Benedicto Galvão e disse que os homenageados realmente lutaram pela raça negra.<br /><br />D'Urso homenageou todos os premiados na figura de Teodosina Ribeiro, primeira deputada negra de São Paulo, entre 1974 e 1978, e agradeceu pelo trabalho de Hédio Silva Júnior, ex-conselheiro seccional, ex-secretário estadual da Justiça e primeiro presidente negro da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP.<br /><br />Premiados<br /><br />Hédio Silva Júnior discursou em nome de todos os premiados. Ele disse que muita coisa melhorou para a comunidade negra desde que começou a militância no movimento negro, aos 18 anos. O professor citou o racismo nos Estados Unidos, que teve ao menos a “honestidade” de ser explícito, ao contrário do Brasil, e criticou o critério da meritocracia como forma de obtenção de vagas.<br /><br />Silva afirmou que o problema dos negros não é falta de competência, mas de oportunidade para mostrá-la. Ele homenageou o presidente da OAB SP, citando como avanços de sua gestão a divulgação de parecer favorável às políticas de cotas; o grande apoio à Comissão de Igualdade Racial; e a presença pela primeira vez de um negro à frente da comissão e outro indicado e escolhido pelo quinto constitucional para ocupar vaga no Tribunal de Justiça de São Paulo.<br /><br />D’Urso se emocionou ao falar sobre suas três gestões à frente da OAB SP e agradeceu a todos que o apoiaram, dizendo que teve um “sonho que foi partilhado por alguns, depois multiplicado, e hoje é dividido por milhares de companheiros”.<br /><br />Outro homenageado, o frei David Raimundo dos Santos, líder da Educafro, aproveitou o momento da entrega do prêmio para cobrar do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, a criação de uma política de cotas para afrodescendentes.<br /><br />Os outros premiados foram: Carmem Dora de Freitas Ferreira, advogada e ex-conselheira da OAB SP; Maria Aparecida de Laia, da Coordenadoria do Negro da Secretaria de Participação e Parceria; Margarete Barreto, delegada titular da Degrad; Moisés da Rocha, radialista; Ivo Miguel Evangelista Santos, advogado e presidente do Rotary Club de Santos; Marco Antonio Zito Alvarenga, presidente do Conselho de Participação do Desenvolvimento da Comunidade Negra; José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares; Nadir de Campos Junior, promotor de Justiça; José Cândido, deputado estadual morto em fevereiro (prêmio recebido pelo filho Marcelo de Souza Cândido); Cleonice Caetano, diretora executiva do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade; o coronel da Polícia Militar Admir Gervário Moreira, chefe da Casa Militar paulista; Kabengele Munanga, professor de antropologia da USP; Erickson Gavazza Marques, desembargador do Tribunal de Justiça paulista; Maurício Pestana, diretor de redação da revista Raça; o senador Paulo Paim (prêmio recebido por Lívio Enescu); Carlos Alberto Caetano, compositor e sambista (representado por Luis Luís Carlos Ribeiro da Silva, conselheiro seccional); Eloísa de Souza Arruda, secretária estadual de Justiça (representada por Antônio Carlos Arruda); Matilde Ribeiro, ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva; Luiza Helena de Bairros, ministra atual da mesma secretaria (Rui Augusto Martins recebeu o prêmio); e Jelon de Oliveira, mestre de capoeira, coreógrafo e fundador da companhia de dança DanceBrazil (representado pela juíza federal Milene Pereira Ramos).<br /><br />Também participaram da mesa diretora do evento: deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de São Paulo; Lívio Enescu, vice-presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB SP; Rui Augusto Martins, conselheiro seccional; Umberto D’Urso, diretor cultural; e José Carlos Gobbis Pagliuca, vice-presidente do Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo.<br /><br /><br />