LUTA CONTINUADA CONTRA O RACISMO


20/11/2013

Marcos da Costa

O racismo manifesta-se de forma cotidiana e impede o desenvolvimento de uma sociedade plural e democrática, pois se ampara nas desigualdades.

 

A quarta edição da pesquisa “Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), traz dados que reforçam a noção de que as ações de promoção da igualdade racial devem continuar, fortemente. O estudo aponta que a renda média per capita de uma família chefiada por um homem branco é de R$ 997,00, enquanto em uma família com uma mulher negra como chefe o valor é 51% menor. Este dado financeiro revela um limitador de evolução sócio econômica, pois a segunda família terá acesso menor – tanto em quantidade, quanto em qualidade – a itens como educação, cultura, saúde, alimentação etc. Um dado que comprova esta relação é a taxa de anos de escolaridade da população negra, de 6,7 anos de estudo, contra 8,4 da população branca brasileira.

 

Durante três séculos, entre 1550 e 1888, o Brasil foi um país escravocrata, destino de milhões de negros africanos capturados em suas cidades e trazidos à força para trabalhar na agricultura, sendo comercializados como objetos e vivendo em senzalas, em condições sub-humanas.

O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e até hoje não é possível determinar o número exato de africanos que desembarcaram nos portos brasileiros. Nesse período soturno, todo tipo de torturas eram aplicadas aos escravos. Quase não eram alimentados, vestiam trapos e eram proibidos de qualquer manifestação de sua cultura, oprimidos e reprimidos por “senhores” e feitores.

Antes de 1888, forjada no espírito da liberdade e da justiça, a Advocacia reuniu grandes nomes na luta contra a escravidão no Brasil, como Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, José Bonifácio, Tobias Barreto e Castro Alves, que ficou conhecido como o “poeta dos escravos”. Em São Paulo, Luiz Gama, atuando como rábula, depois de ter sido rejeitado  como aluno regular na São Francisco devido à sua origem - conseguiu libertar sozinho, em juízo,  mais de 500 escravos.

O Quilombo dos Palmares, com cerca de 30 mil habitantes, resistiu a vários ataques de portugueses e holandeses que tentaram destruí-lo. Foram inúmeras tentativas em 80 anos de conflito, mas Palmares resistia bravamente e chegou a derrotar cerca de 30 expedições enviadas. No dia 20 de novembro de 1694, Zumbi foi morto e degolado.

 

Ao celebramos  Zumbi dos Palmares, devemos lembrar que todas as formas de escravidão precisam ser derrotadas. E elas têm muitas formas, seja do preconceito racial, da discriminação, das diferentes formas de opressão, do salário menor ou da falta de acesso à escola e ao trabalho digno. É, também, uma luta contra todas as formas de exclusão e de subordinação. Com dizia Rui Barbosa, "a liberdade em todas as suas manifestações [é] o instrumento fundamental de todo o progresso e de toda a moralização popular".

 

 

Marcos  da Costa, advogado,