OAB SP reforça posição contra os trotes vexatórios


13/02/2014

Neste início do ano letivo (2014), a imagem de uma caloura da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, sendo submetida a ato vexatório, no qual é obrigada a simular sexo oral com uma banana ; e de outro calouro, da mesma instituição de ensino, amarrado a um poste na Avenida Paulista, causou indignação do Presidente da Comissão contra o trote da OAB SP, Fábio Romeu Canton Filho.

 “Sou contrário ao trote que, geralmente, acaba levando à violência e à humilhação. Hoje, considero os argumentos para sua manutenção, como a tradição e rito de passagem, pueris. Na prática, esses trotes desvirtuam para práticas criminosas, como cárcere privado, assédio moral e humilhação. E esse tem um agravante, aconteceu na Faculdade de Jornalismo mais antiga do País, a Cásper Líbero, que forma os profissionais compromissados com a informação, e em uma das mais importantes avenidas do mundo ( a Paulista). Por meio das redes sociais, esse tipo de trote terá uma repercussão mundial negativa e instantânea, demonstrando o nosso atraso medieval”, afirma Canton.

Trote similar ao aplicado contra a aluna da Faculdade Cásper Líbero  ocorreu com alunas da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Brasília , em 2011. Humilhar novas alunas também foi o mote de alguns veteranos da Universidade Estadual Paulista, que promoveram o "Rodeio das Gordas", que causou revolta em outubro de 2010. Na "competição", os veteranos tinham de agarrar as estudantes, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio, ficando o maior tempo possível sobre a vítima. No ano passado, uma estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais foi acorrentada pelas mãos, teve o corpo pintado com tinta preta, enquanto era puxada pelos veteranos portando cartaz com a inscrição “Caloura Chica da Silva”.

Os trotes levaram a, pelo menos, duas mortes nos últimos 15 anos. Em 1999, Edison Tsung-Chi Hsueh (22), aprovado no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP), morreu afogado em uma piscina durante o trote. Desde então, os novos alunos da medicina da USP são recebidos com palestras, tour pelo campus e ações educativas que também envolvem os pais.  “A simples possibilidade de humilhação ou lesão corporal já seria suficiente para acabar com o trote, o que dirá uma morte. A preservação da vida humana tem de ser o mote prioritário”, crava Canton Filho.

Mesmo diante desta tragédia,  em 2009, o País registrou outra vítima de um trote fatal: Vitor Vicente de Macedo Silva, 22 anos, do Departamento de Física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro morreu afogado. Ele teria sido forçado a entrar na piscina mesmo sem saber nadar.

"É muito mais saudável fazer uma festa com os diretórios acadêmicos, que sabem realizar recepções e integrações. O trote violento e humilhante nos calouros, como acontecia nas universidades europeias da Idade Média, está fora de sintonia com a sociedade contemporânea. Tanto que a França criminalizou os trotes e acabou com eles", conclui Canton Filho.