OAB SP divulga Carta aberta contra o trote violento


26/02/2014

Com o título “Pelo fim de uma pseudocultura”, Fabio Romeu Canton Filho, Presidente da Comissão Contra o Trote Universitário, publica carta, na qual reitera a posição da OAB SP contra a realização dos trotes aos calouros , lamentando que “não poderia ser mais triste: a imagem que ilustra o início do ano letivo universitário é a do calouro amarrado a um poste na Avenida Paulista, que a mídia pespegou em nossa consciência”.


 

No texto, o também Presidente da CAASP, explica “que A OAB SP reprisa em 2014 o mote ‘Entrar na Faculdade tem que Ser Motivo de Alegria’, a nortear a campanha que, mais uma vez, pretende engajar estudantes, professores, dirigentes e todos os demais atores do campo educacional superior nesta luta contra o que consideramos nada menos que um ato criminoso”. A Comissão Contra o Trote Universitário da OAB SP prega a extinção da prática, entendendo que não há nenhum benefício aos calouros e veteranos nas práticas vexatórias, sádicas e violentas.

 

Veja a íntegra da carta:

 

PELO FIM DE UMA PSEUDOCULTURA

 

 

A Seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil retoma sua ação institucional contra a prática de trote violento nas faculdades brasileiras. Nossa indignação com tal conduta permanece e até cresce, infelizmente, face às repetições de atos abomináveis praticados por quem deveria dar exemplo de convivência acadêmica - os veteranos. Não poderia ser mais triste: a imagem que ilustra o início do ano letivo universitário é a do calouro amarrado a um poste na Avenida Paulista, que a mídia pespegou em nossa consciência.

 

A OAB SP reprisa em 2014 o mote “Entrar na Faculdade tem que Ser Motivo de Alegria”, a nortear a campanha que, mais uma vez, pretende engajar estudantes, professores, dirigentes e todos os demais atores do campo educacional superior nesta luta contra o que consideramos nada menos que um ato criminoso.

 

Nesse sentido, reiteramos: há vários crimes previstos em lei que podem derivar do trote, e a Justiça deve ser acionada para coibi-los e puni-los. Nosso empenho, contudo, continua direcionado a que iniciativas de cunho educacional bastem para impedir o subjugo de calouros universitários. Não há plausibilidade no trote, entendemos, por isso condenamos com veemência sua forma mais abjeta: aquela que leva o novato à degradação física e/ou moral.

 

A OAB SP, nesta missiva representada por sua Comissão de Combate ao Trote Violento, enxerga a universidade como um ambiente afeito ao conhecimento, à qualificação técnica e à formação humanista, valores indispensáveis ao jovem que busca um futuro profissionalmente exitoso. É também na faculdade que o indivíduo, na maioria das vezes recém-saído da adolescência, busca uma saudável distensão dos laços familiares. O calouro é um iniciante na vida independente e não pode carregar um trauma como momento-chave de suas jornadas vindouras.

 

Por tudo isso, nossa luta se dá para que a pseudocultura do trote seja extinta, tanto mais em suas formas violentas, quando não sádicas e criminosas.

 

Fábio Romeu Canton Filho

Presidente da Comissão de Combate ao Trote Violento