TJ-SP homenageia Esther de Figueiredo Ferraz


06/05/2014

“Fiquei pensando qual seria a reação de minha tia Esther, se aqui estivesse para receber esta tão significativa homenagem. Ela, que era tão grande e ao mesmo tempo tão extremamente simples, certamente diria não ser dela merecedora”. Assim, Gilda Figueiredo Ferraz de Andrade, Conselheira Seccional da OAB SP e sobrinha de Esther de Figueiredo Ferraz, iniciou os agradecimentos pela homenagem prestada à primeira mulher a integrar o Conselho Seccional da OAB SP.

 

 

Na tarde de 28 de abril, um ato solene, realizado na Sala do Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ SP), marcou a entrega de duas peças relacionadas à trajetória de Esther de Figueiredo para o acervo do Museu do Tribunal: um processo em que ela atuou no Tribunal do Júri e o processo em que foi corrigido o registro de nascimento dela.

 

“A restauração e restituição dos autos de um dos mais importantes Júris já havidos neste belo Plenário, nesta mesma sala, julgamento este da então ré Miriam Bandeira de Mello, defendida por minha tia, que aqui neste recinto estreava”, ressaltou Gilda Figueiredo, concluindo com agradecimentos ao Presidente do TJ SP, José Renato Nalini: “esta homenagem nos comoveu e nos tocou profundamente, muito obrigada, em nome de nossa família”. O Presidente do TJ SP salientou que trata-se de “homenagem justa, legítima e merecida, a uma mulher que foi a primeira em tudo e que continua a ser a primeira em nossos corações”.

 

Representando a OAB SP na solenidade, a Vice-Presidente, Ivette Senise Ferreira, lembrou dos tempos em que foi aluna de Esther e também da época em que foram colegas na docência da Faculdade de Direito da USP – Largo São Francisco. “Ela foi uma excelente jurista e, além disto, perfilou vários caminhos, na sociedade, ocupando todos os cargos possíveis de realce na área da educação e na área jurídica: uma pessoa com grandes dotes intelectuais e pessoais”.

 

A história de Esther de Figueiredo Ferraz

 

O Desembargador Ricardo Henry Marques Dip foi o orador encarregado de falar da trajetória de Esther de Figueiredo Ferraz, o que demandou, mesmo em resumo, um discurso de vinte minutos. Dip destacou o lado humano de uma mulher a frente de seu tempo e intelectualmente incomparável questionando: “os senhores compreendem o que representa uma mulher como Esther de Figueiredo Ferraz? Alguém que chega a ser Ministra de Estado, professora concursada da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que recebeu o Colar do Mérito Judiciário do TJ SP, acadêmica em tantos lugares, encontrar tempo e motivação para a generosidade? Temos aqui alguém merecia esta homenagem!”.

 

Nascida em São Paulo, no dia 6 de fevereiro de 1915, Esther de Figueiredo Ferraz foi a primeira mulher a integrar o Conselho Seccional e o  Tribunal de Ética e Disciplina da OAB SP, ainda na década de 1960. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e licenciada em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de São Bento, Esther foi a única aluna até hoje, nas Arcadas do Largo de São Francisco, a ter, durante os cinco anos de graduação, a mais elevada nota à época - 10 cum lauda - em todas as disciplinas.

 

Ainda destacando a importância do legado de Esther de Figueiredo Ferraz, o coordenador do Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo, Desembargador Alexandre Moreira Germano, lembrou palavras de Miguel Reale: “foi a mulher que na pedagogia, pela primeira vez no Brasil, nos deu um sentido mais profundo de comunidade e sistematização”.

 

Esther também foi a primeira mulher da América Latina a comandar uma reitoria na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1965. Também foi a primeira mulher a ocupar um Ministério no país, assumindo a pasta da Educação e Cultura, em 1982.

 

Membro da Academia Paulista de Letras na cadeira 36, cujo patrono é Euclides da Cunha, Esther integrou o conselho de diversas entidades, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).Entre os vários títulos com os quais foi homenageada, Esther recebeu o Colar do Mérito Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo (1993).