Dia Internacional do Idoso: em busca de novas conquistas


01/10/2014

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que a população idosa no Brasil deve triplicar nos próximos 20 anos, o que vale dizer que de 22,9 milhões de habitantes com mais de 60 anos de idade, chegaremos a mais de 88,6 milhões.

A projeção é motivo de celebração, pois revela avanços que têm proporcionado maior longevidade ao nosso povo; mas, diante das dificuldades que a terceira idade já enfrenta nos dias de hoje, fica a dúvida: como esta parcela da população (que será 39,2% do total) será assistida em suas necessidades mais básicas, com seus direitos garantidos? Devemos lembrar que a expectativa de vida passará dos atuais 75 anos para 81 anos.
 
O aprendizado de convivência com a população da terceira idade ainda é um desafio a ser vencido. Parece ser algo óbvio e até simples de ocorrer, mas se observarmos o dia a dia, especialmente dos grandes centros, constatamos desrespeito aos idosos, a demonstrar que as pessoas não estão preparadas para esse convívio harmonioso. É preciso pensar políticas públicas para ensinar aos mais jovens as noções de convivência com os mais idosos, até em proveito próprio dos primeiros, em função da troca de experiências.
 
Além disso, outro tema importante e que já é bastante apresentado – apesar de pouco observado – é a questão da mobilidade. Gosto de citar o exemplo do Metrô de São Paulo, cujas estações mais antigas tiveram de passar por obras de adaptação para promover a acessibilidade de portadores de deficiência e pessoas de idade avançada, e, se observarmos que as obras novas são entregues atendendo estes quesitos, verificamos que evoluímos. Mas nos grandes e pequenos centros urbanos o desafio de manter ruas e calçadas em condições seguras ainda é um desafio que se apresenta em todo o país.
 
Um dos pontos que a Organização Mundial de Saúde aponta para o aumento da longevidade no Brasil é a melhor articulação dos programas de distribuição de remédios, especialmente de controle da diabetes e hipertensão, mas a Entidade coloca uma preocupação pertinente: haverá estrutura de atendimento médico (básico e especializado) e para moradia e cuidados cotidianos suficientes? Este é um desafio que o Brasil precisa começar a enfrentar desde já, progredindo em diversos aspectos que possam melhorar a qualidade de vida dos idosos do presente, garantindo a construção do mínimo necessário à dignidade dos que estão por vir.
 
Ao celebrar este Dia do Idoso, é importante destacar que a OAB SP continua vigilante quanto à observância dos direitos da terceira idade, previstos no Estatuto do Idoso e atuando em frentes e campanhas para assegurar este diploma legal. A cada  conquista obtida, devemos perseguir  um novo desafio.
 
Marcos da Costa
Presidente da OAB SP




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