OAB SP e Sindicato dos Jornalistas iniciam debate sobre violência contra profissionais


14/11/2014

O Presidente da OAB SP, Marcos da Costa, recebeu na última quarta-feira (12/11), na nova sede da Ordem, o Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, José Augusto Camargo, para discutir a atividade profissional em áreas de risco, como manifestações e protestos.

Advogados e jornalistas vêm sendo vítimas de violência em São Paulo. A OAB SP registrou a prisão abusiva de três advogados: Benedito Roberto Barbosa, que foi detido em junho, quando tentava ingressar no prédio onde era cumprido mandado de reintegração de posse para dar orientação jurídica, e foi agredido por policiais. Já os advogados Daniel Luiz Passos Biral e Silvia Daskal Hirschbrush, acompanhavam manifestação na Praça Roosevelt, em julho, quando foram detidos e isolados do grupo de manifestantes após pedirem a identificação dos policiais que atuavam na operação policial. Também sofreram violência e foram detidos ilegalmente. Costa lembrou que OAB SP conseguiu trancar ao inquérito aberto contra Biral e Daskal.

Quanto aos jornalistas, dados da Abraji (Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos) apontam que São Paulo vem se constituindo na cidade mais violenta para os repórteres que cobrem manifestações: dos 133 casos de agressões registrados de junho de 2013 a fevereiro de2014, 63 ocorreram na capital paulista.

O caso mais grave é do fotógrafo Sérgio Silva, que teve o olho atingido por um tiro de bala de borracha disparada por um policial militar,  durante o protesto contra aumento das tarifas dos transportes, e perdeu a visão do olho esquerdo, no ano passado.Também o fotógrafo Alexandro Wagner Oliveira da Silveira foi atingido no olho por uma bala de borracha da PM , em protesto de professores em 2000.

Segundo o Presidente do Sindicato dos Jornalistas, a Federação Internacional de Jornalistas tem acompanhado com grande interesse a questão da violência contra jornalistas e considera a situação do Brasil fora do padrão da América Latina, aonde a violência decorre mais de divergências políticas com o governo e ação do narcotráfico. ”O problema maior no nosso País é a violência institucional contra o profissional jornalista por parte da Polícia e até por parte de manifestantes, que entendem que a imprensa está a serviço de determinadas forças, o que vem levando veículos e jornalistas a evitarem a identificação para não virarem alvos”, disse José Augusto (Guto).

Os dois presidentes também avaliaram a organização de um debate sobre o tema e a pesquisa sobre recomendações internacionais para atuação de profissionais e forças de segurança em áreas de conflito para que sejam uma referência para possível adoção no Brasil.