Morre Therezinha Zerbini


14/03/2015

A OAB SP comunica a morte da advogada, ativista pelos Direitos Humanos e fundadora do Movimento Feminino pela Anistia, Therezinha Zerbini, hoje aos 87 anos.

“Therezinha Zerbini teve um papel expressivo ao longo de toda a ditadura militar pela coragem e força que demonstrou em situações difíceis e complexas. É, sem dúvida, um exemplo para nós. Ela escolheu combater o bom combate, lutando pela Justiça e defendendo àqueles que careciam de apoio. Foi uma heroína da resistência”, diz Marcos da Costa, presidente da OAB SP.
 
Casada com um militar, general Euryale de Jesus Zerbini (cassado pela Ditadura), Therezinha se deu conta que precisava ser mais do que uma dona de casa e funcionária dos Correios. Escondeu e cuidou de estudantes feridos pela polícia em sua própria casa, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Durante os anos de repressão política, ajudou a levantar recursos para auxiliar quem estivesse clandestino no país. Seu envolvimento com a defesa dos direitos humanos fez com que acabasse presa pela Operação Bandeirantes, sob a alegação de ter dado apoio ao Frei Tito, amigo de sua família, para que conseguisse usar o sítio em Ibiúna para a realização do Congresso da UNE em 1968, de onde centenas de estudantes saíram presos. Therezinha respondeu a inquérito policial militar e foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional. Ficou oito meses detida, mas, depois disso, não se acovardou e nunca deixou de lado a luta pela anistia. Em 1975,  criou o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA) que passou a integrar a luta pela redemocratização do Brasil.