Prerrogativas da OAB SP estrutura vice-presidência jovem


18/03/2015

48_20150302_234º_sessao_do_conselho_de _prerrogativas_foto_jlconceicao (29).baixa.jpg
Ricardo Toledo, presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB SP

O presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB SP, Ricardo Toledo, já desenha o funcionamento da vice-presidência do jovem advogado. Recém criado, o novo braço de trabalho da Comissão foi anunciado pelo presidente da Secional, Marcos da Costa, em fevereiro deste ano. O advogado com pouco tempo de carreira vem ganhando espaço na Secional nos últimos anos.  A primeira ação de Marcos Costa nesse campo foi revogar o artigo do regimento interno da OAB SP que impedia os advogados, com menos de cinco anos de inscrição nos quadros da Ordem, de se tornarem membros de comissões. “Propus a alteração já na primeira sessão do nosso conselho Secional. Há muito tempo o jovem tinha as portas abertas. Mas era preciso eliminar esse entrave, ainda que apenas formal, no regimento”. 

Por ora, a diretoria, em conjunto com a Comissão do Jovem Advogado, avalia quem ocupará a cadeira. Mas algumas ideias para incrementar os trabalhos em prol da defesa de prerrogativas do jovem advogado ganham corpo. O tema prerrogativas será abordado durante a 1ª Conferência Nacional do Jovem Advogado, promovida pela OAB Nacional nos dias 19, 20 e 21 de março, em Porto Seguro (BA). A expectativa é que 7 mil jovens talentos participem. 

“O novo vice-presidente será o interlocutor entre os menos experientes e os que têm mais tempo de profissão e integram a nossa Comissão”, diz Toledo. “O objetivo é incrementar o trabalho da defesa das prerrogativas, sobretudo quando houver necessidades emergenciais”. Ocorre, por exemplo, quando advogados defendem pessoas que saem às ruas para expressar sua insatisfação com a política e economia – movimentos hoje comuns no país. 

Toledo lembrou que, na época das manifestações de 2013, muitos advogados, entre eles os que têm menos tempo de experiência, tiveram dificuldades para fazer contato com seus clientes nas delegacias. A Comissão organizou, então, um movimento para assegurar o direito de trabalho desses profissionais. “Montamos um grupo que ficava de prontidão para auxiliar os advogados via plataformas de mídias sociais”, diz. A página da Comissão de Prerrogativas no Facebook, por exemplo, foi bastante utilizada para contatos emergenciais na ocasião. 

Como as redes sociais são instrumentos muito usados pelos jovens profissionais, a ideia é utilizá-las com maior frequência como um canal que os auxilie, mesmo que em outras situações que não apenas a do exemplo citado sobre as manifestações. Nesse cenário, o novo vice-presidente do jovem advogado chega como alguém que poderá coordenar esse trabalho de comunicação e apoio. 

Queixas comuns  

Pelo menos três graves problemas são enfrentados por advogados em início de carreira. O descaso de outros profissionais do Direito com mais tempo de atuação, seja em delegacias ou tribunais, costuma ser o mais comum. Tanto é que o desrespeito representa a maior parte das queixas dos advogados com idade até 30 anos. 

Dos 89 processos registrados por pessoa física na Comissão de Prerrogativas da OAB SP em 2015, 10% vem de pessoas dessa faixa etária. No entanto, não é apenas a idade que classifica o profissional iniciante, lembra Ricardo Toledo. Há aqueles que obtiveram a carteira da Ordem mais tarde, mesmo tendo mais idade. As queixas do público com até cinco anos de registro na Secional paulista, independentemente da faixa etária, representa 14% do total de processos registrados até agora, segundo levantamento divulgado por Toledo. 

O outro ponto importante nesse universo é a fixação de honorários irrisórios. A Comissão está atenta a essa questão por notar que, em boa parte das causas em que o valor fixado é baixo, o advogado costuma ser jovem. 

A dificuldade de acesso aos autos de processos também é bastante comum. Este é, inclusive, um problema recorrente para muitos advogados e independe do tempo de profissão. Segundo Toledo, trata-se de queixa comum e que exige trabalho constante da Comissão. 

Conferência do Jovem Advogado discute a conquista de clientes 

03_20150209_seminario_jovens_advogados_conceicao (110).jpg
Everton Zadikian, presidente da Comissão do Jovem Advogado da OAB SP

Mais do que o conhecimento jurídico em si, um pacote estratégico de ações é necessário para que o escritório conquiste e mantenha, em bom ritmo, volume de clientes. Atendimento personalizado e construção de marca são exemplos importantes de alguns desses passos, na avaliação de dirigentes da Comissão do Jovem Advogado da OAB SP. 

A 1ª Conferência Nacional do Jovem Advogado, marcada para os dias 19, 20 e 21 de março, em Porto Seguro, na Bahia, será uma oportunidade para participar dessas discussões. Na ocasião será lançado, entre outras publicações, um livro voltado para gestão, escrito pelos presidentes de Comissões de Jovens Advogados da OAB. Um dos capítulos foi escrito por Everton Zadikian, presidente da Comissão que reúne os jovens talentos na Secional paulista. O mote é a oferta de serviço personalizado, descrito como dica fundamental para que a carreira decole e o escritório ganhe musculatura. Nessa temática, um aspecto da análise feita pelo advogado é o de considerar todo o cliente como “O cliente”, o que seria uma forma de fidelização. 

“É importante conseguir transmitir a quem te contrata a importância que ele possui. Não somente por ser, ele, aquele que contribui para a manutenção da nossa atividade no aspecto financeiro, mas, também, por ser aquele que permite ao advogado exercer seu ministério privado em busca da justiça social”, avalia. Um exemplo prático do que pode levar à fidelização é a sensibilidade para entender o cliente e, a partir daí, entregar o retorno que ele espera ao decorrer de um processo. “Há aquele que apenas precise ouvir a nossa voz, dizendo-lhe que está tudo caminhando dentro da normalidade, como existe o outro que vai pedir um informe mensal sobre o andamento da causa e, ainda, um terceiro que desejará apenas conhecer o resultado final”, comenta. “Caso o advogado entregue um informe àquele que precisa ouvir sua voz, poderá ser considerado frio e impessoal, sem sucesso de estreitar laços de confiança”, exemplifica. E uma vez que o profissional não atingiu a expectativa desse cliente, dificilmente será indicado como referência para outras pessoas. 

Marca 

Paralelamente à fidelização e à organização da divisão de tarefas no escritório – ou seja, definir quem vai prospectar clientes e tocar os processos jurídicos –, cada advogado precisa trabalhar sua marca. Levar adiante algumas dessas sugestões, inclusive, contribui com o próprio processo de fidelização. “A marca pessoal está no jeito de vestir, de falar, de tratar as pessoas, de se organizar. Não é preciso jogar futebol de terno e gravata, mas é preciso manter uma conduta sempre alinhada ao que se espera de um advogado”, diz Luis Fernando Chacon, coordenador de Novos Mercados e Gestão para Advogados da Comissão do Jovem Advogado da OAB SP. 

Para Chacon, é importante saber conversar sobre assuntos econômicos e políticos do momento, bem como demonstrar conduta ética em situações simples. Esses são exemplos de atitudes que podem aproximar o advogado de um possível cliente. “O comportamento ajuda a gerar vínculos de confiança, necessários para uma contratação”, comenta. Na avaliação do advogado, a percepção favorável com o tempo se multiplica, colaborando para a construção de uma imagem sólida. Sobretudo, reforça, se a ela for atrelada qualidade profissional.