OAB SP premia melhores poesias do Estado


17/04/2015

O Salão Nobre da Secional paulista da Ordem recebeu na quinta-feira (16/04) a solenidade de premiação do “X Concurso Estadual de Poesia da OAB SP”, que teve mais de duzentas inscrições.O evento foi promovido pelo Departamento de Cultura e Eventos em conjunto com a Comissão de Economia Criativa e Direitos Culturais e teve o patrocínio da Ponto Graf Digital.

Primeiro colocado com a poesia Tabebuia, Paulo Tarcízio da Silva Marcondes conta que ficou honrado:“Esse poema reflete o meu amor pelas árvores, pela natureza. Eu fico muito gratificado porque é um poema que eu escrevi para voz feminina e, portanto, para a minha esposa declamar”. A reproduçãoda íntegra da poesia vencedora do concurso segue abaixo, após a lista dos premiados.

Poesias premiadas:
1ª colocação, a Poesia Tabebuia - autoria de Paulo Tarcízio da Silva Marcondes;
2ª colocação, a Poesia Atlas Geográfico de Quintal - autoria de Getulio Cardozo da Silva;
3ª colocação, a Poesia OCASO - autoria de Adriana Branco Gerab Trematore;
4ª colocação, a Poesia Quadro de Rodas - autoria de Renato de Assis Bonfim;
5ª colocação, a Poesia Sina - autoria de Juliana Hellen Sudano Olkowski.

Menções honrosas:
Poesia Achados e Perdidos - autoria de Carlos Augusto de Assis
Poesia Corda Bamba - autoria de Renata Paccola
Poesia Desafio - autoria de Eudes Quintino de Oliveira Júnior
Poesia Entre Dois Mundos - autoria de Tatiana Barduco Rodrigues
Poesia Julho Perdido - autoria de Janaína Letícia Ghiraldi
Poesia Liberdade - autoria de Leonardo Bombicino Damian
Poesia Minas de Dor - autoria de Cláudia Conceição Assis Xavier
Poesia Orgulho - autoria de Fábio Henrique Teixeira Silva
Poesia Pneupoético - autoria de Pedro Tomé de Castro Oliveira
Poesia Relíquia de Família - autoria de Oswaldo Cesar Trunci De Oliveira


Tabebuia
Paulo Tarcizio da Silva Marcondes

Quem me obrigou à pesada burca verde
no verão chuvoso? Quem, no outono farfalhante,
mandou que eu me vestisse de sépia?

Quem, severo, me prescreveu no inverno
o piedoso retiro com seus silêncios mortos?

Agora: não quero mais saber.

Agora: primavera! passarinhos! música no vento!
Agora: seiva nova quente corre dentro de meus vasos lenhosos
e os meus botões intumescidos, de repente, um a um,
desatam lenços amarelos pela árvore toda!
A minha nudez se enfeita de pétalas claras
contra o céu azul! E venha o vento!

Que o vento erga minhas luminosas flores desavergonhadas!
Que o vento morno mande meu meigo aroma de fêmea madura
aos quilômetros em derredor!

As minhas últimas folhas pudicas joguei fora. Nua inteira,
vigorosa e quente, sem uma folha:
sou só flores!

Sou só flores, estou pronta:
Vem, Vida! Vem nos grãos sagrados do pólen!
Ah! Eu me abro! eu abro todas as minhas flores e destilo
tonta todo o néctar doce, meu muco, meu mel,
meu licor: o meu amor!

Eu me exponho, eu exagero no escândalo
dos amarelos! Eu chamo! Eu chamo todos!
Eu chamo tudo! Venham! Venham lambuzar-se em mim
as velozes abelhas, e as mamangavas bravas, as ferozes vespas:
Tudo lhes dou em troca dos santos grãos de pólen
que me trazem, pervertidas!

A todas acalmo com minha secreção perfumada,
a todas amanso como as mais dóceis jatis, miúdas
abelhinhas sem ferrão – para estas reservo
o meu carinho mais humilde...

Venham os insetos todos,
todos me lambam, venham borboletas, besouros!
Venham os beija-flores, sátiros alados, pequenos faunos
incansáveis: que me derreto! Venham as coloridas
saíras delicadas, famintas, gentis!

Venham as noturnas mariposas, de ousadas trombas,
e venham os escuros morcegos impiedosos! Me comam
as cheirosas pétalas, usem minhas flores, abusem
até da intimidade de todos os meus ovários! Escancaro,
em festa febril, sépalas, estames, pistilos,
anteras, filetes: vibro nas fibras das flores
de todos os meus ramos frágeis!

Se me dão o pólen, lambam-me! Longamente,
línguas lépidas, lúbricas, lisas, lambam-me os lábios
das pétalas lânguidas, numa confusa música zonza, num
vozerio vivaz, num zunzum...

De manhã, o solo em torno é um tapete amarelo: milhares
de minhas flores sucumbiram, exaustas,
e vagarosamente vão levadas pelas formiguinhas minúsculas....

Venham... Mas tem que ser logo! Logo não vou
querer mais, vou dispensar, me recolher,
me despojar de tanto amarelo,
vou me vestir de verde...

Quando minhas raízes beberem da bênção das primeiras chuvas,
vou estar sossegada, cuidando
da minha multidão de sementes grávidas.