Goffredo da Silva Telles Júnior marcou porque ‘vivia o que dizia’


15/05/2015

Ivette Senise, José de Ávila Cruz e Maria Garcia

Amigos de muito tempo se encontraram na manhã desta quinta-feira (13/05) para um evento promovido pela OAB SP no prédio da Praça da Sé, em São Paulo. Mais do que colegas de faculdade, de profissão ou parceiros nos trabalhos da Secional, os advogados que ali estavam tinham algo mais em comum: o apreço pelo professor Goffredo da Silva Telles Júnior.

Reunidos para homenagear o advogado e também político, que completaria cem anos no dia 16 de maio, os participantes relembraram marcos da trajetória. “Ele foi uma figura excepcional que iluminou o nosso panorama social, político e jurídico”, disse Ivette Senise Ferreira, presidente em exercício da OAB SP – e, como muitos outros presentes, uma das alunas do professor que formou 45 gerações de advogados na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

“O professor Goffredo foi de grande importância para as transformações sofridas nos últimos anos pela sociedade brasileira, em direção à democracia, ao aperfeiçoamento da Justiça e à formação de advogados e professores. Seus livros ainda são referência nas universidades”, complementa Ivette. Entre as obras citadas estão ‘Iniciação na Ciência do Direito’, resultado de sua experiência como professor e jurista, e ‘Direito Quântico’. Segundo a presidente em exercício da Ordem, este segundo livro inaugura uma doutrina na área jurídica.   

Não podia ficar de fora a leitura da ‘Carta aos Brasileiros’, da qual ele foi um dos autores principais e que pedia o retorno da democracia, em plena ditadura militar. Essa é uma referência para todos os que são questionados sobre as contribuições deixadas por Silva Telles à classe e à sociedade. “Foi marcante o pronunciamento que ele fez na Faculdade de Direito, com muita coragem e propriedade, em plena ditadura. Deu exemplo aos seus alunos e também ao Brasil”, diz Maria Garcia, professora de direito constitucional da PUC-SP e membro da Comissão de Reforma Política da OAB SP.

“Ele deixou uma herança extraordinária, sobre o que é o Direito, o que é a democracia. Todos os professores nos deixaram uma marca, cada um a sua maneira. Só que ele representou demais para nós porque dava a impressão que vivia o que dizia”, finaliza Maria Garcia.

Para José Carlos Madia de Souza, presidente da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP e porta-voz da família de Telles durante as homenagens, não é preciso muitas palavras para defini-lo. “A matéria dele era Introdução à Ciência do Direito, ou seja, era a antessala, o abre-alas da carreira. E ele nos despertava paixão pelos estudos”, disse. “Ele chamava o direito de ‘ciência da convivência humana’, nem é preciso dizer mais nada ...”, conclui Madia. 

História pessoal 

Olívia (filha) e Maria Eugênia (viuva)

A viúva Maria Eugênia Raposo da Silva Telles e a filha do casal, Olívia, marcaram presença na homenagem. Ex-aluna de Silva Telles, Maria Eugênia relembrou, com emoção, características da personalidade do companheiro falecido em 2009.

“Ele tinha traços encantadores. Entre eles, a imensa paciência e a elegância, utilizadas inclusive com adversários ou desafetos”, conta Maria Eugênia. “Por ter esse perfil acabou conquistando pessoas que inicialmente o tinham hostilizado”.

Antes de unir-se a Maria Eugênia, de quem foi companheiro por 42 anos, o professor Goffredo se casou outras duas vezes: com Elza Xavier da Silva e a escritora e ex-aluna Lígia Fagundes Telles.