Direito Desportivo debate a participação da mulher no esporte


03/07/2015

Direito Desportivo debate a participação da mulher no esporte
(Da esquerda para direita): Luís Fernando Marcondes, Jaime, Fernanda Bazanelli, Luiz Brock, André Megali, Gustavo Delbin e Patrick Pavan durante o Seminário, que ocorreu no Museu do Futebol

Os homens sempre comandam a maioria dos assuntos ou eventos relacionados ao esporte. Colaborando para quebrar esse paradigma, Fernanda Bazanelli Bini, secretária-geral adjunta da Comissão de Direito Desportivo da OAB SP, promoveu (26/06) o “Seminário Nacional de Direito Desportivo – Elas têm algo a dizer”, que teve como palco o Museu do Futebol, na Praça Charles Miller, em São Paulo.

“Há cerca de um ano, nós da Comissão pensamos em realizar esse evento direcionado à mulher no esporte, e apenas com palestrantes mulheres”, disse Fernanda Bazanelli, que programou para que as palestras fossem realizadas por profissionais de diversas áreas desportivas, o que ajudou a enriquecer o debate. Patrick Pavan, presidente da Comissão de Direito Desportivo, parabenizou a iniciativa de promoção o evento e frisou que a mulher tem, sim, que estar à frente do esporte, defendendo o respeito e a maior participação em todas as modalidades.

Luciana Monteiro de Lima, coidealizadora do primeiro curso de Direito Desportivo no Brasil, disse que as mulheres devem trabalhar para acabar com o preconceito existente na área. Lembrou que elas sempre tiveram importante participação em todas as áreas, tanto no Brasil como no mundo e citou, como exemplos, profissionais que se destacaram em diferentes aspectos como Malala Yousafzai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, e Cora Coralina, que aos 75 anos publicou a sua primeira obra literária.

O assédio também foi um dos temas de discussão durante o Seminário. Considerado um grave problema é enfrentado por centenas de jovens na iniciação do esporte. Alguns pais enxergam em suas proles a única chance de conseguir uma melhor condição de vida, e, mesmo sabendo que a questão existe, preferem não denunciar às autoridades.

Sobre o assunto, a psicanalista Juliana Danelon explica que um incidente isolado não pode ser caracterizado como assédio, mas merece registro: “Incidente isolado não configura assédio, mas pode ser uma afronta à dignidade”. A psicanalista relatou um caso de um garoto, e não de uma jovem, já que o problema é muito presente e pouco questionado pela sociedade. Praticante de futebol no Sul do país, o garoto era assediado constantemente pelo técnico da equipe. Quando questionado sobre o porquê não relatava aos seus pais o que estava acontecendo, disse apenas que temia contar e perder a possibilidade de ver o seu sonho realizado. Juliana Danelon argumentou que jovens com 14 ou 15 anos não têm informação suficiente, que os impedem de revelar o constrangimento a que são submetidos.