Papel, deveres e responsabilidades do Estado e da sociedade são debatidos no Seminário Saídas para a Crise


15/09/2015

Fernando Capez Saídas para a Crsie
Fernando Capez, presidente da Alesp, salientou que a crise moral que assola o Brasil é a pior que já viu

Diminuir o tamanho do estado para reduzir a corrupção, trocar discussões infindáveis por ações pragmáticas, buscar uma mentalidade ‘meritocrática’ e uma sociedade de mercado, foram algumas propostas apresentadas nesta segunda-feira (14/09) no painel “Estado e Sociedade: papéis, deveres e responsabilidades” durante o Seminário Saídas para a crise, na sede da OAB SP.

Mediado pelo presidente da Secional Paulista da Ordem, Marcos da Costa, o debate teve a participação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Fernando Capez; presidente do Conselho da Fundação Padre Anchieta (FPA) Belisário dos Santos Júnior; consultor político, Gaudêncio Torquato; e do filósofo Luiz Felipe Pondé.

O presidente da Alesp, deputado estadual Fernando Capez, iniciou sua exposição pontuando que a crise é a pior que já vivenciou. “É uma crise moral que nos mostra crimes de corrupção alarmantes. Eu trabalhei durante 15 anos numa promotoria de combate a improbidade administrativa. Nós até nos acostumamos a ver corrupção em cifras de milhões, mas estamos vendo agora em bilhões. Ou seja, onde o Estado penetra tem aparecido mais corrupção”, constatou Capez que acredita que a solução passa pela prevenção. “A melhor maneira é retirar o Estado de onde ele não precisa estar e diminuir o seu tamanho”, enfatizou.

Para o presidente da Alesp, o País deve ainda deixar de lado as discussões sem fim e passar a agir. “A impressão que eu tenho é que nós precisamos levar dez anos para crescer um, porque ficamos nove anos discutindo. Sociedades que adotaram a escola pragmática de atuação, definiram uma meta, a estratégia e agiram com determinação, se encontram em situação economicamente mais favorável que a nossa”, considerou Capez que, por fim, apontou a necessidade de distribuição de recursos para Estados e Municípios como uma forma de melhorar os serviços prestados à população.

Belisário dos Santos Júnior Saídas para Crise
Para Belisário dos Santos Júnior, presidente do Conselho da Fundação Padre Anchieta (FPA), fazer cumprir as leis e o que diz a Constituição é fundamental para o país superar a crise

Em seguida o presidente do Conselho da FPA, Belisário dos Santos, ressaltou que o caminho é cumprir as leis e a Constituição. “Se nós passássemos os olhos pelo artigo 37 da Constituição Federal, por exemplo, nós veríamos algumas pistas para a solução da crise. Desde 1988, ao administrador não basta ser seguidor da lei e da legalidade, ele precisa seguir a eficiência”, ponderou.

Gaudêncio Torquato Saídas para a Crise
Gaudêncio Torquato, consultor político, enxerga crise de desgoverno e salienta a necessidade de um choque de eficiência nos serviços públicos

Na mesma linha, o consultor político Gaudêncio Torquato avaliou que atualmente o governo trabalha com tentativa e erro. “Promete um imposto, no dia seguinte recua. A crise é de desgoverno e precisamos de um choque de eficiência e qualidade nos serviços públicos de todo o país”, avaliou. Ainda de acordo com Torquato, há um declínio dos mecanismos clássicos da democracia. “Os partidos ideológicos doutrinários estão cedendo lugar para os pragmáticos, cujo interesse é chegar ao poder, pelo poder. Os parlamentos estão declinados, com a pressão do poder executivo que também assume a função de legislar. Bancadas corporativas passaram a defender setores, ditando as suas vontades e, por fim, o afastamento da sociedade da classe política”, pontuou o consultor político que acredita que a “a luz no fim do túnel está na democracia participativa”.

Luiz Felipe Pondé Filósofo
Na opinião do filósofo Luiz Felipe Pondé a saída é o país se assemelhar mais à São Paulo no sentido de que a cidade seria mais meritocrática

Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, a mentalidade da sociedade precisa mudar para superarmos a crise de vez. “O brasileiro fala mal dos políticos o dia inteiro, mas espera tudo do governo”, comentou. Pondé afirma que o país se desenvolveria mais se tivéssemos a noção de que precisamos lutar por nós mesmos. “Uma saída para o País é se assemelhar mais à São Paulo. Na medida que é uma cidade mais ‘meritocrática’, mais aberta, que recebe gente de todos os lugares do Brasil e é capaz de dar espaço às pessoas pela sua competência”, finalizou.