Secional paulista da Ordem lança manifesto contra a intolerância religiosa na internet


16/11/2015

Damaris Kuo, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa da OAB SP

Sob a luz dos movimentos pacifistas que buscam a concretização dos diversos ideais de paz, foi lançado no último dia 09/11, na Câmara Municipal de São Paulo, o “Manifesto de Combate à Intolerância Religiosa na Internet”. O evento foi promovido pela presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB SP, Damaris Dias Moura Kuo, e contou com a presença de diversas lideranças religiosas.

A vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo, Ivette Senise Ferreira, representou o presidente Marcos da Costa e fez a abertura da sessão destacando a importância da Comissão de Liberdade Religiosa em sua constante atuação na defesa da livre manifestação de todas as crenças, bem como sua ampla ação que abrange todo o país, e não somente o estado de São Paulo, no intuito de transformar ações intolerantes por meio do conhecimento que estimula o exercício da paz.

Sobre o manifesto, a vice-presidente explica que ele é um documento que reforça para a sociedade a necessidade de proteger as redes sociais e a internet de pessoas mal-intencionadas, tendo em vista que a comunicação tradicional foi suplantada por esses recursos, por isso a urgência de se regulamentar as normas necessárias para coibir condutas impróprias.

Em seguida, Damaris Dias Moura Kuo explanou sobre o lançamento do Manifesto que, de acordo com ela, é um ato de vigilância da liberdade religiosa: “Cremos que a liberdade seja uma das dádivas humanas mais frágeis; existem pessoas no mundo que dormem livres e acordam encarceradas”. Na esteira do pensamento de Kuo, o presidente da Associação Beneficente e Cultural B’nai B’rith, Abraham Goldestein, lembrou de um fato histórico ocorrido na Alemanha e na Áustria, quando há exatos 77 anos, no dia 09/11/1938, aconteceu a Noite dos Cristais onde Adolf Hitler, cinco anos após publicação das leis de discriminação aos judeus, destruiu sinagogas e lojas judaicas, matou 90 judeus e levou cerca de 30 mil pessoas aos campos de concentração. Na plateia, saudado com salvas de palmas pelos presentes, encontrava-se Hans Bergmann, um dos sobreviventes daquela terrível noite.

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Rony Vainzof, advogado e secretário da Confederação Israelita do Brasil, foi um dos palestrantes

Fechando a noite, o palestrante Rony Vainzof, advogado e secretário da Confederação Israelita do Brasil, destacou que muitos sites e provedores, após inúmeras ações judiciais promovidas pelos agredidos, mantêm atualmente políticas de acesso em suas cláusulas de uso com normas que proíbem manifestações de ódio ou intolerância a gêneros, raça e credos. “Os provedores querem manter um ambiente saudável, eles não querem um ambiente de ódio porque isso afasta seus usuários”, concluiu o advogado.

Os interessados em conhecer o texto completo do Manifesto podem acessar o link https://goo.gl/QhMEzE e as assinaturas podem ser feitas na página da Comissão, no endereço eletrônico https://goo.gl/FznSzf.

Também participaram do evento: Samuel Gomes de Lima, presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania; Camila Godoy da Silva, vereadora do município de Itapevi; Jader Freire de Macedo Junior, vice-presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB SP; Clélia Gomes, deputada estadual (PHS-SP); Alcides Coimbra, professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e Laércio Benko, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Vereadores de São Paulo.