OAB SP entrega Prêmio Benedicto Galvão 2015


02/12/2015

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Maria Aparecida Pinto, licenciada em Psicologia e história da África e do Negro no Brasil, discursou em nome dos homenageados
“Nenhuma lei pode obrigar que me amem, mas pode garantir que não me eliminem”, afirmou Maria Aparecida Pinto, que discursou em nome dos homenageados com o Prêmio Benedicto Galvão 2015. Bacharel, licenciada em Psicologia e história da África e do Negro no Brasil, ela fez referência ao ataque contra a Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, no dia 18 de novembro.
 

Na opinião de Maria Aparecida, o episódio reforçou o quanto a luta contra o racismo é necessária. Ações de reconhecimento de personagens que atuam contra a discriminação racial também são capazes de promover “o resgate da dignidade humana e mostrar a riqueza da diversidade” e dar “resposta aos racistas”. Recentemente, a OAB reconheceu o legado de Luiz Gama, entregando o título póstumo de advogado para seu bisneto. Essa é a quarta edição do Prêmio Benedicto Galvão e “a OAB SP deve continuar, este Prêmio é imorredouro e representa o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido”. A avaliação positiva da vice-presidente da OAB SP, Ivette Senise Ferreira, se estende à Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, dirigida por Sinvaldo José Firmo.

A presidente da Comissão de Igualdade Racial entendeu estar diante de uma “nova geração de militantes contra o racismo”, ao olhar para o hall de homenageados. Carmen Dora de Freitas Ferreira acredita que “cada um dos premiados vai deixar um legado ao continuar lutando até que a verdadeira cultura de paz se torne realidade: a obra da Justiça é a paz!”

O Prêmio Benedicto Galvão leva o nome do primeiro presidente negro da OAB SP e reconhece o esforço de pessoas que colaboram de maneiras distintas. A solenidade de entrega das estatuetas foi realizada na antiga sede da OAB SP, na Praça da Sé, na noite de 20 de novembro. A escolha dos homenageados é feita pela Comissão de Igualdade Racial. A solenidade deste ano contou com a apresentação da Filarmônica Afro Brasileira, sob a direção artística e musical do maestro Josoé Polia.

Também receberam o Prêmio Benedicto Galvão 2015: Umberto Luiz Borges D’Urso, diretor do Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP e conselheiro Secional; Deise Benedito, advogada e presidente da Fala Preta Organização de Mulheres Negras; Silvio Luiz de Almeida, advogado e diretor-presidente do Instituto Luiz Gama; Dagoberto José Fonseca, livre docente em antropologia brasileira pela Faculdade de Ciências e Letras; Eduardo Ferreira Valério, coordenador do Núcleo de Políticas Públicas da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo; Aurea Celeste da Silva Abbade, administradora de empresas e mestranda em acesso a Justiça e Função Social do Direito na Fadisp; Douglas Belchior, educador no Movimento União de Núcleos de Educação Popular para Negras(os) e Classe Trabalhadora (Uneafro - Brasil); Reverendo Antonio Olímpio Santana; Eduardo Pereira da Silva, advogado; Antonio da Silva Pinto, jornalista, administrador de empresas e pós-graduado em Educação Superior e Maria Júlia Coutinho, jornalista.

O primeiro presidente negro da OAB SP

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Carmen Dora de Freitas Ferreira, presidente da Comissão de Igualdade Racial, e Ivette Senise, vice-presidente da OAB SP, entregam o prêmio Benedicto Galvão para Umberto Luiz Borges D´Urso, diretor do Departamento de Cultura e Eventos

Benedicto Galvão dirigiu a OAB SP entre 1940 e 1941, durante o afastamento de Noé Azevedo. Formado na Faculdade de Direito de São Paulo (1907), Galvão foi um dos primeiros negros a integrar os bancos acadêmicos da instituição, selando uma trajetória de ascensão social por meio do estudo e desenvolvimento intelectual.

Nascido em Itu (SP), em 1881, ainda criança veio para a capital para estudar, patrocinado por Alfredo Pujol, secretário do Interior do governo do Estado. Benedicto Galvão passou pela Escola Normal da Praça da República e trabalhou como auxiliar de escritório e professor nos bairros da Bela Vista e Liberdade. Uma rua da Vila Santa Isabel, na Zona Leste de São Paulo, leva o seu nome.

Como advogado, fez parte banca do escritório Alfredo e Ernesto Pujol e do Instituto dos Advogados do Estado de São Paulo. Na OAB SP ainda colaborou como membro da Comissão de Disciplina, atual Tribunal de Ética e Disciplina.