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Boa gestão exige organização e controle administrativo


10/04/2017

Boa gestão exige organização e controle administrativo
Clemencia Wolthers afirma que o advogado é preparado na faculdade apenas para atuar na área jurídica

Gerir um escritório de advocacia muitas vezes não é uma tarefa fácil. A prática requer tempo, organização e saber lidar com a burocracia. Pensando nisso, a Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil renovou recentemente a parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) para oferecer cursos de gestão e empreendedorismo aos advogados. A presidente da Comissão de Sociedades de Advogados da OAB SP, Clemencia Beatriz Wolthers, destaca a importância de se comandar bem o local de trabalho e do suporte para o controle administrativo.

Conforme explica a advogada, os profissionais deixam para segundo plano a questão do gerenciamento: “A parceria é fundamental, porque o advogado de uma forma geral é preparado na faculdade apenas para atuar na área jurídica, ele não aprende a administrar. O Sebrae traz importante contribuição”. A parceria prevê, além dos cursos a distância, um programa de atendimento presencial. Durante as aulas, o advogado pode obter a base necessária para entender temas que não lhe são comuns no dia a dia, como fluxo de caixa, custos do escritório e gerência de recursos humanos. Outro fator importante está no balanço apresentado pelo Sebrae. Ele demonstra que a experiência tem dado resultados positivos, sendo que, na primeira etapa, mais de três mil pessoas já concluíram os cursos oferecidos.

Menos tributos
Outro fator que tem contribuído para melhorar positivamente o bom andamento dos negócios é o Supersimples, pois o sistema de tributação diferenciado descomplica as rotinas e favorece a redução de impostos. “Com o Supersimples existem dois facilitadores: o primeiro é a redução da carga tributária, e o segundo é a desburocratização dos recolhimentos dos impostos. Agora é possível, em uma única guia, pagar oito encargos diferentes”, informa Clemencia. Já a questão de rentabilidade tem esbarrado na atual situação enfrentada pelo Brasil que vive um período de recessão. Especialistas acreditam, porém, que o alívio deve se iniciar com a retomada do crescimento econômico. Conforme avaliação da presidente da Comissão de Sociedades de Advogados da OAB SP, no momento que a economia voltar ao rumo de crescimento, o volume de trabalho dos escritórios tende a melhorar ao mesmo tempo em que a retomada da situação financeira das empresas e a rentabilidade do advogado passarão a ter dias melhores.

Outro ponto importante para dar mais eficiência ao andamento das bancas de forma eficiente está no cuidado a ser ofertado aos clientes. É interessante verificar as condutas adotadas, ficar atento e seguir estritamente o Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil. Além disso, deve-se observar as inovações técnicas e tecnológicas neste segmento para agilizar o envio de informações aos clientes, tornando assim mais célere o andamento dos processos: “Tudo o que advogado puder fazer para adiantar a prestação de serviço jurídico e, principalmente, manter o seu cliente atualizado com o que está acontecendo, valoriza muito o seu trabalho”.

No começo de 2016 a OAB conseguiu uma vitória importante com a sanção da Lei Federal nº 13.247. A legislação trouxe a possibilidade da criação de sociedades em caráter unipessoal. Apenas no primeiro ano de promulgação da norma já foram registradas 3.136 novas inscrições nessa nova modalidade: “As sociedades estão se modificando, já temos 350 sociedades que eram pluripessoais, ou seja, com mais de dois sócios, que estão se transformando em unipessoais, prevalecendo o sócio mais presente na sociedade”. Com um sistema de tributação diferenciado e vantagens menos burocráticas, o novo modelo tem despertado interesse inclusive da jovem advocacia. Como para o advogado em início de carreira possa ser difícil montar uma sociedade pluripessoal, a unipessoal é interessante. Além das facilidades administrativas, não existe a necessidade da escolha imediata de um sócio.

Investindo na formação
Marcos Fernando Lopes, vice-presidente da Comissão do Jovem Advogado da OAB SP e professor de ética, gestão e empreendedorismo no Senac, pede aos recém-formados que, antes de se arriscarem, tenham em mente a área que vão atuar. Essa atitude ajuda a minimizar futuros erros. Lopes ressalta que os conhecimentos adquiridos na faculdade são técnicos e que para se obter a prática jurídica é necessário um longo caminho de experiência: “O jovem, geralmente, tem uma visão romântica da profissão, e reconhecer que a falta do saber jurídico lhe impõe algumas barreiras é essencial”.

Algumas áreas do Direito têm se destacado mais em virtude da crise, como, por exemplo, compliance, fusões, aquisições e a trabalhista. O advogado lembra que a Seção paulista da Ordem dispõe de alguns canais para auxiliar o jovem a adquirir a prática jurídica. “A Escola Superior de Advocacia possui diversos cursos, inclusive de pós-graduação, com desconto para aqueles que têm até cinco anos de inscrição na Ordem, bem como as palestras promovidas pelo Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP em todo o Estado.” Marcos Lopes também destaca o Convênio da Assistência Judiciária, que possibilita exercer a advocacia para os mais carentes e ajuda a adquirir experiência profissional.

Ainda no intuito de auxiliar os novos inscritos, a Comissão do Jovem Advogado se movimenta de maneira a nortear como devem proceder os profissionais do Direito e sobre as melhores escolhas de ingresso no mercado de trabalho. A finalidade é proporcionar um caminho menos árduo para obter sucesso nas primeiras empreitadas. A advocacia é uma atividade dinâmica, em constante mudança, que necessita de atualizações: “O profissional deve ser muito versátil e atento, pois quem tem o conhecimento detém o poder”, lembra Marcos Lopes. Por sua vez, Clemencia Wolthers espera maior participação da jovem advocacia nas sociedades unipessoais, pois elas podem contribuir para o aprimoramento profissional de quem está dando os primeiros passos na ocupação.

Pé Jornal Março 2017