Dimensão da violência nos estádios

No País sede da Copa do Mundo de Futebol, as brigas entre torcidas organizadas é uma questão que deve ser enfrentada com urgência. Nas capitais e grandes cidades, o problema é crônico. Em dias de jogo, torcedores marcam encontros pelas redes sociais para promoverem enfrentamentos violentos.

 

 

As cenas chocam. A agressão, a brutalidade e o vale-tudo entre as torcidas organizadas fazem parte do “jogo”. Nada os intimida. No ano passado, 30 torcedores foram assassinados em decorrências das brigas promovidas por torcedores. A despeito da rivalidade entre torcidas ser menor em torneiros mundiais, “torcedor brigão” não precisa de motivo para promover confrontos.

 

No último confronto violento entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense, em Joinville (SC), no ano passado, as cenas eram de pura barbárie. Torcedores caídos, sendo chutadas, espancados com barras de ferro. O descontrole era tanto que o jogo ficou paralisado por mais de uma hora para que os “vândalos” fossem contidos pela Polícia Militar e os feridos levados ao hospital.

 

 

Educação e punição devem vir juntas nessa tentativa de minimizar o problema, porque, certamente, ele não será resolvido de um dia para o outro, sem a união dos governos municipais, estaduais e federal, das polícias civil e militar, de dirigentes de clubes, das federações e, principalmente, com a participação das torcidas organizadas.

 

Desde 2011, as torcidas organizadas se comprometeram a seguir determinadas instruções para permanecerem na legalidade. Isso foi acordado entre elas e a Justiça quando assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público de São Paulo.

 

Pelo acordo, todos os integrantes devem ter carteira de identificação e as agremiações se comprometeram a evitar qualquer tipo de tumulto, violência e provocação, entre outras cláusulas. O não cumprimento das regras acarreta multa e até suspensão das atividades da organizada.

 

Mais de dois anos depois da assinatura do acordo, os resultados ainda estão muito aquém do esperado, mas certamente foi um passo importantíssimo para coibir a violência dos torcedores, cumprindo também o Estatuto do Torcedor.

 

Podemos aprender com as atitudes tomadas no Reino Unido em relação aos hooligans. Depois de uma briga que resultou 39 mortos, na Bélgica, em um jogo entre Liverpool e Juventus, os clubes ingleses foram punidos e ficaram cinco anos sem poder competir em torneios europeus.

 

A polícia local, a justiça britânica e os clubes decidiram então banir os violentos hooligans com medidas duras como, por exemplo, impedir que os torcedores assistissem aos jogos nos estádios. Eles eram identificados previamente, localizados pelo sistema de monitoramento por câmeras e retirados do local, antes mesmo que provoquem alguma arruaça. E quem é pego brigando, causando tumulto, vai preso.

 

Em poucos meses, o mundo todo estará sintonizado no Brasil para acompanhar a Copa Mundial de Futebol. Embora a segurança dentro dos estádios seja da FIFA, temos de fazer nossa parte, desarmar os espíritos e conter qualquer tipo de violência promovida nas arenas e em seu em torno para que os brasileiros e turistas de todas as nacionalidades se sintam seguros e aproveitem os jogos e as emoções que surgirão quando a bola começar a rolar nos gramados brasileiros.

 

 

Marcos da Costa é advogado e presidente da OAB SP