OAB SP entrega prêmio Franz de Castro Holzwarth a advogados que atuaram na tragédia do Carandiru

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16/11/2016

Uma das primeiras pessoas a entrar no Carandiru após o massacre de outubro de 1992, o advogado e ex-procurador de Justiça, João Benedicto Azevedo Marques, tem até hoje imagens chocantes guardadas na memória. À época, ele e o colega Ricardo Carrara Neto visitaram o local a pedido do então presidente da OAB SP, José Roberto Batochio. A Ordem paulista foi a primeira instituição a entrar no presídio após a tragédia que resultou na morte de 111 presos – 84 deles, vale lembrar, sequer sentenciados. Pelo empenho diante da tarefa, Marques e Carrara serão homenageados com o prêmio Franz de Castro Holzwarth – no caso de Carrara, entregue in memoriam – no dia 21 de novembro, durante a próxima reunião do conselho Secional. “Os advogados foram incansáveis na tarefa que desempenharam para que a Ordem pudesse cumprir o papel de defensora dos direitos humanos”, pontuou Marcos da Costa, presidente da OAB SP.

A visita dos advogados, ambos da Comissão de Direitos Humanos da instituição, foi o passo inicial de um extenso trabalho de pesquisa levado a cabo na época e de extrema importância colaborativa para as investigações conduzidas pelos órgãos competentes. “Tomamos depoimentos de presos, policiais, jornalistas e familiares no prédio da OAB SP no centro”, contou Marques. “O relatório final concluiu pela ocorrência de um massacre em uma invasão desnecessária. O resultado dessas investigações foi encaminhado ao Ministério Público, que ofereceu denúncia contra 77 policiais, condenados pelos tribunais de júri”, concluiu. O material resultante foi, inclusive, publicado sob o título ‘História de um Massacre’, assinado por Marques e por Marcello Lavenère Machado, dirigente do Conselho Federal da OAB quando ocorreu a tragédia de repercussão internacional (confira o vídeo).