A OAB SP lamenta a morte do cardeal dos Direitos Humanos, Dom Paulo Evaristo Arns

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14/12/2016

dom evaristo
O cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e Mário Sérgio Duarte Garcia, ex-presidente da OAB SP

A voz serena e bem pausada e a delicadeza no trato com todos a sua volta poderiam sugerir fragilidade, mas, bem ao contrário disso, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo – morto nesta quarta-feira (14/12), aos 95 anos – deixa a marca da fortaleza, em especial, na defesa dos direitos humanos. Internado em decorrência de uma broncopneumonia desde 28 de novembro, D. Paulo viu seu estado de saúde piorar conforme informou o comunicado divulgado pela Arquidiocese de São Paulo e, no qual, o arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, diz: “Ele entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”.

Em nome da Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, o presidente da instituição, Marcos da Costa, lamenta a perda desse brasileiro “que foi exemplo de bondade, sabedoria e bom senso em sua dedicação e carinho para o Brasil e que, nos momentos complexos e difíceis na nossa história como no período da Ditadura Militar, sempre se posicionou ao lado dos que careciam de ajuda e em defesa dos direitos dos cidadãos e das liberdades democráticas”.

Filho de imigrantes alemães, Dom Paulo Evaristo Arns nasceu em 1921, em Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939. Formou-se em teologia e filosofia em universidades brasileiras. Ordenado sacerdote em 1945, foi estudar em Paris, onde cursou letras, pedagogia e também defendeu seu doutorado. Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Em julho deste ano, foi celebrado os 50 anos de sua ordenação episcopal. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já. O reconhecimento de sua atuação fez com que recebesse inúmeros prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. Dentre eles, o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA), além de 38 títulos de cidadania.

O velório e os ritos fúnebres serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo e serão abertos ao público.