Reflexões sobre o racismo marcam Cine Debate que teve exibição do “Menino 23”

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17/05/2017

Reflexões sobre o racismo marcam Cine Debate que teve exibição do “Menino 23”
A partir da esquerda: Carmem Dora de Freitas Ferreira, presidente da Comissão da Igualdade Racial; Humberto Adami Santos Junior, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil; e Marcos da Costa, presidente da OAB SP, na apresentação do documentário Menino 23

A Sede Cultural da Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil recebeu neste sábado (13/05), dia da abolição da escravatura, a exibição do documentário “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil”. O filme foi tema de debate sobre a necessidade de se recuperar a história dos afrodescendentes, de revelar o horror sofrido pelos escravos no Brasil, além de tratar das formas contemporâneas de escravidão.

O presidente da OAB SP, Marcos da Costa, assistiu ao filme e ressaltou em seu discurso que a história de garotos negros escravizados por fazendeiros ligados ao movimento nazista, no interior de São Paulo, não é única. “Esse é um entre tantos casos que temos por aí, mas que ainda precisamos descobrir”, comentou o dirigente para, em seguida, antecipar que a XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira – que será realizada entre os dias 27 e 30 de novembro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi –  haverá espaço para discussões acerca da escravidão no Brasil.

Na mesma linha, o presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra, Humberto Adami Santos Junior, destacou, durante o debate, a importância da abertura de comissões da Verdade da Escravidão Negra nas Subseções da OAB para a ampliação do conhecimento e o resgate histórico, assim como faz o documentário. “Menino 23 conta uma história de um município do Estado de São Paulo, são 5.643 municípios no Brasil. Se cada município produzir uma história, é possível publicar um livro volumoso sobre pessoas, lendas, personagens e heróis negros. Vamos ajudar a pessoas que são contrárias às ações afirmativas para afrodescendentes a entender porque elas são necessárias”, refletiu Adami.

Reflexões sobre o racismo marcam Cine Debate que teve exibição do “Menino 23”
Eunice Aparecida de Jesus Prudente, presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB SP

Para Eunice Aparecida de Jesus Prudente, presidente da Comissão da Verdade da Escravidão da OAB SP, a Secional paulista cumpriu seu compromisso institucional com os Direitos Humanos ao promover o evento. Ela ainda salientou a necessidade de revisão da história.: “Precisamos revelar o protagonismo negro e investir na educação, porque o racismo não terá mais espaço entre nós, se formarmos novos cidadãos brasileiros comprometidos com o outro. Menino 23 dá sua colaboração neste sentido e nós, da comissão da Secional paulista, vamos dar a nossa em breve. Isso porque, nessa segunda fase do grupo de trabalho, composto por mais de 23 advogados, vamos publicar pesquisas e artigos”.

Reflexões sobre o racismo marcam Cine Debate que teve exibição do “Menino 23”
Rossana Giesteira, produtora de cinema, na apresentação do documentário Menino 23

Produtora de impacto de Menino 23, Rossana Giesteira, reforçou que o propósito do filme é causar comoção e estimular o debate sobre o racismo estrutural em toda a sociedade brasileira. Para atingir esse objetivo, estão sendo realizadas parcerias para sua exibição. “Sempre entendemos que esse documentário tem uma vocação social. Sabíamos que revelar essa história causaria um impacto, até certo incômodo. Democraticamente, fechamos parcerias com a OAB e outras instituições . Estamos rodando bastante o filme. Já fomos para comunidades, escolas e praças públicas em todo o Brasil desde o lançamento, em julho do ano passado. Menino 23 tem sido bastante reconhecido e ganhou importantes prêmios”, contou a produtora para acrescentar que o documentário vai entrar na programação do Canal Brasil a partir de 22 de maio.

Também compuseram a mesa-diretora desta edição do Cine Debate: a juíza do trabalho, Mylene Pereira Ramos, e a presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB SP, Carmem Dora de Freitas Ferreira.

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