Congresso Estadual da Mulher Advogada propõe a união como forma de combate à violência contra a mulher

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18/09/2018

Congresso Estadual da Mulher Advogada propõe a união como forma de combate à violência contra a mulher
Marcos da Costa, presidente da OAB SP; Katia Boulos, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB SP; Eduarda Mourão, presidente da Comissão da Mulher Advogada do Conselho Federal da OAB, e diretores no lançamento da Campanha anual da OAB SP

Refletir, conscientizar e agir foram as palavras de ordem do Congresso Estadual da Mulher Advogada, realizado na sede institucional da OAB SP (15/09), que nesta edição teve como lema: “União pelo índice zero da violência contra a mulher”. Com o intuito de contribuir para transformar a realidade brasileira, em que 12 mulheres são assassinadas, em média, todos os dias, conforme levantamento do Monitor da Violência, a Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil reuniu uma série de profissionais e especialistas para debaterem o tema. Na ocasião, também foi lançada a Campanha Anual da entidade – “Semana de conscientização e prevenção da violência contra a mulher”.

Presidente da OAB SP, Marcos da Costa enalteceu a participação das mulheres nos cargos diretivos, nas comissões e no Conselho Secional da instituição, apontando que a medida aprovada pelo Conselho Federal, que estipula cota de 30% para as mulheres concorrerem nas chapas formadas para dirigentes de Ordem, já é realidade vivenciada na Secional paulista: “Um trabalho aprovado depois de muita luta que refaz a norma das eleições OAB, em um país continental, que tem tantas diferenças. É uma mudança necessária para garantir uma maior inclusão das mulheres. Em São Paulo, a mulher já tem uma presença marcante e certamente teremos mais. É preciso sonhar alto para que um objetivo alto seja alcançado”, ressaltou.

O líder da advocacia paulista convocou uma salva de palmas como forma de protesto à prisão da advogada Valéria dos Santos no Rio de Janeiro: “Estes são aplausos de indignação e um pleito de reconhecimento à Valéria dos Santos, que enfrentando o autoritarismo demonstrou a força da mulher, negra e advogada. Seu exemplo serve como estímulo para que todos que sofrem situações de arbítrio no exercício da profissão saibam que a OAB estará junto, lutando pelas prerrogativas profissionais da advocacia e pela dignidade de todos os cidadãos”.

Todos/Todas
Lançando a campanha anual da OAB SP para combater a violência contra a mulher, a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Kátia Boulos, reforçou a atuação das instituições e da sociedade para mudar este quadro: “Não queremos mais 'Marielles', não queremos mais 'Valérias'. Situações como essas não podem mais acontecer, precisamos nos unir porque não queremos apenas diminuir o índice de violência contra a mulher, precisamos erradicá-lo e chegar ao número zero”, destacou.

Diretor-financeiro da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), Jorge Eluf Neto discorreu sobre o momento de empoderamento feminino, que acontece em todos os níveis: “A OAB é líder na realização de trazer a igualdade de gênero através da união institucional. As mulheres são maioria absoluta em todas as instâncias e mesmo com sete anos a mais de estudos que os homens, não ocupam as posições de liderança”, ponderou.

Para a presidente da Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (LIBRA), Maria Lívia Suplicy, o enfrentamento à violência e à desigualdade de gênero só será possível através da sororidade. Na mesma linha, a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Eduarda Mourão, apontou o engajamento cada vez maior das mulheres advogadas em todo o país e da mudança nas normas eleitorais da Ordem: “As mulheres estão se engajando cada vez mais e têm consciência da importância do seu papel, não podemos nos dissociar dessa responsabilidade. É preciso que a voz das mulheres se materialize e concretize nos cargos diretivos para uma OAB mais inclusiva”.

Painéis e homenagem
Foram realizados três painéis durante o Congresso, que serão abordados mais profundamente em outra reportagem, e tiveram as seguintes temáticas: “Da indignação às ações afirmativas: a soma de esforços”, que tratou sobre os projetos voltados ao combate da violência; “Relacionamentos abusivos sob a ótica profissional da medicina”, que trouxe os principais sinais destas relações na saúde da mulher; e “Mobilização em marcha constante”, que abordou a questão da violência de gênero, da diversidade sexual e da igualdade racial.

O evento também contou com uma homenagem à desembargadora Maria Cristina Zucchi, que recebeu uma Láurea de Reconhecimento da OAB SP, por ser a primeira mulher a integrar o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Emocionada, a desembargadora agradeceu a consideração e garantiu que em sua atuação, nas decisões e votos, sente o peso da responsabilidade em representar a advocacia paulista. Oriunda da advocacia, Zucchi ingressou na magistratura pela via do Quinto Constitucional em 2001. A homenagem foi lida pela conselheira Tallulah Kobayashi.

Além dos já citados, também compuseram o dispositivo de honra durante a abertura do Congresso: o vice-presidente da OAB SP, Fábio Romeu Canton Filho; a secretária-geral adjunta, Gisele Fleury Charmillot Germano de Lemos; a presidente do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), Renata Soltanovitch; a presidente da Comissão de Sociedade de Advogados, Clemência Beatriz Wolthers; a presidente da Comissão de Igualdade Racial, Carmen Dora Ferreira de Freitas, a presidente da Comissão de Diversidade Sexual, Adriana Galvão Moura Abílio, o presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas, Cid Vieira de Souza Filho; das conselheiras Secionais: Ana Maria Franco Santos Canalle, Cibele Miriam Malvone Toldo, Clarisse Ziauber Vaitekunas de Jesus Arquely, Lucimar Vieira de Faro Mello, Rosa Ramos, Rosangela Maria Negrão, Rose Oggiano; o conselheiro Edvaldo Mendes da Silva; membro da Associação Mulheres Progressistas, Luiza Nagib Eluf; a curadora da Escola Superior de Advocacia (ESA), Lucia Maria Bludeni.

Caravana da Indignação e o Varal da Vergonha
Com dados sobre a violência contra a mulher expostos ao lado de peças de roupa que alertam para este problema, o Varal da Vergonha foi levado pelas mulheres participantes até à Câmara Municipal de São Paulo durante a Caravana da Indignação. Assim, ao término do evento, demonstraram não só a união para enfrentar esta realidade, mas também, a representação com informações e índices que revelam a acentuada violência perpetrada contra as mulheres. 

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